Dicas
Madeira: o toque de classe na arquitetura e décor





Abundante na região, ela sempre foi usada como elemento fundamental da arquitetura popular nas casas do interior da Amazônia. No período da borracha, grandes obras foram erguidas colocando a madeira em lugar de destaque, tais como o Teatro Amazonas. Contudo, ao longo dos anos ela foi perdendo o seu lugar cativo nas casas e construções de uma Manaus que foi se tornando bem mais industrial que florestal.

Porém, nos últimos anos, ela vem passando por um processo de ressignificação. Cada vez mais valorizada na arquitetura e decoração mundial, aos poucos a Amazônia acompanha esse movimento. É a redescoberta da madeira como elemento de construção e estilo nos ambientes, a reconciliação com um passado (e um presente) que pertence à floresta.

“A madeira é o toque de classe no projeto arquitetônico”, acredita o arquiteto Sérgio Santos, que assina as obras da Fundação Amazonas Sustentável e representa uma geração de arquitetos amazonenses preocupados em tirar da floresta mais do que inspiração, mas mantendo a sustentabilidade. Tendo a madeira reaproveitada como um dos seus principais materiais de trabalho, ele atribui a ela um valor ao mesmo tempo funcional, estético e simbólico.

“Madeira é detalhe, nobreza, é história”, afirma ele, destacando o simbolismo de obras que usam como insumo madeiras reaproveitadas de barcos da região. “A madeira (de reaproveitamento) conta uma história”, diz ele, que trabalhou junto ao arquiteto Marcelo Rosembaum, do quadro “Lar doce lar” (Programa do Luciano Huck), na reforma das casas (de madeira) no Rio Negro. Obras como o Stand da Amazônia, na Conferência Rio+20 da ONU, e o Buritizal do Manauara Shopping também levam a assinatura de Sérgio, assim como o Bar da Devassa e Casa do Amazonas, realizadas para a Casa Cor Amazonas 2012, ambas em destaque nas fotos ao lado, e todas utilizando o material ao mesmo tempo clássico e sofisticado.

Conceito em ascensão

Para Sérgio, a madeira entra na decoração como elemento versátil, que pode ser combinado com outros materiais para não dar um ar pesado ao ambiente. “Ela entra bem na decoração, mas não pode encher tudo de madeira. Tem que ter um percentual razoável!”, indica o arquiteto, afirmando que infelizmente não há muitas pessoas trabalhando com esse material na região.

“Em parte, porque não temos uma tradição madeireira. Há poucas pessoas trabalhando com isso, porque o conhecimento não é muito vasto nessa área”. Ele explica que são os próprios carpinteiros navais quem muitas vezes são seus professores na arte e técnica de preparar a madeira para o trabalho de arquitetura. Por outro lado, ele vê com otimismo o desenvolvimento do mercado local no sentido de valorizar esse elemento como um rico material de trabalho na região. “Estou otimista, pois vejo esse lado conceitual do uso da madeira cada vez mais forte na arquitetura.”

Proximidade com ciência

Como parte de um projeto patrocinado pelo CNPq, o engenheiro florestal e civil Basílio Vianez, do Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia (Inpa), edificou um protótipo de casa de 49 m², com cerca de 300 roletes (toras residuais de compensado recolhidos na indústria) e cerca de nove mil kg de madeira.

O projeto buscava dar opções de uso tecnológico dos resíduos deste material. A casa é inspirada no modelo log homes, do inglês “casas de tora”, construções próprias dos países escandinavos.

Segundo o professor, que é doutor em Ciência da Madeira, o interesse pelo material como elemento de construção e decoração vem crescendo, devido a uma mudança de mentalidade de novos engenheiros e arquitetos. “Com exceção de alguns mestres, como o arquiteto Severiano Mario Porto, autor do projeto da Ufam e do Inpa, ninguém queria saber da madeira. Sempre foi considerado um material não nobre”, diz ele.

Para ele, que é nativo da região, é preciso aproximar a ciência do conhecimento popular da Amazônia, que, através do empirismo e da tradição, vem passando o conhecimento de como utilizar a madeira de pai para filho por muitas gerações. “O homem do interior sabe como utilizar a madeira. Ela não gosta de umidade e nem de abafamento. Por isso, as casas do interior são cercadas por beirais (varandas) para afastar o sol e a chuva e são suspensas do chão por causa da umidade”, diz Basílio Vianez.




 
 
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